« Notícia preocupante | Main | O cúmulo da viadagem »
Os artigos de Kenneth Maxwell na Folha não costumam ser grande coisa, mas neste aqui o sujeito se superou. Maxwell comenta um telegrama enviado em 2005 pelo então embaixador americano nos EUA, Johm Danilovich, sobre Dilma Rousseff. O que chama a atenção do historiador são os trechos do relatório que o Departamento de Estado dos EUA decidiu suprimir, por considerá-los delicados, mas o fez de modo incompetente, porque é possível ler as partes que deveriam ser censuradas. Uma das partes suprimidas cita o fato de Dilma ter sido torturada barbaramente.
Até esse momento, não fica claro aonde Maxwell quer chegar. O problema é que se aproxima a hora de terminar o artigo. Na falta de coisa melhor, ele faz uma associação inesperada, metida a inteligente, entre Dilma e John McCain: “Como é estranho o Departamento de Estado considerar que essas informações sejam sensíveis demais para o consumo do público. Afinal, se Dilma Rousseff um dia for eleita presidente do Brasil, e se John McCain, que também sofreu torturas brutais quando prisioneiro de guerra, for eleito presidente dos EUA, teremos dois chefes de Estado com autoridade moral única para rejeitar de maneira inequívoca o uso da tortura como ferramenta política de Estado.”
A associação entre os dois é boba, mas o pior é a conclusão: como os dois foram torturados, seriam presidentes “com autoridade moral única” para rejeitar a tortura como ferramenta política de Estado. É um dos troços mais cretinos de todos os tempos. Qualquer um com um mínimo de sensibilidade repudia a tortura, e ponto. Mesmo quem nunca tomou nem uma tapa dos pais consegue perceber que algo abominável como a tortura deve ser rejeitado – e com a mesma “autoridade moral”


