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Eu concordo com o Reinaldo Azevedo e, neste caso, discordo da nossa Janaína. Essas aulas de filosofia e sociologia vão virar puro exercício de doutrinação esquerdista, e vão dispersar esforços para melhorar a péssima qualidade do ensino das disciplinas tradicionais - matemática, português, ciências - nas nossas escolas. Eu acho quase um escândalo que um país com um ensino tão de merda quanto o nosso decida introduzir novas disciplinas, que não constam, tanto quanto eu saiba, do currículo do ensino básico obrigatório dos países ricos e bem-sucedidos que nós deveríamos macaquear
Atualização:
Tentei comentar neste post do Idelber, mas não sei se consegui (please, não tem nada de censura, é que o blog dele às vezes dá uns problemas técnicos que jogam alguns comentários prum lugar qualquer). O Idelber, evidentemente, pensa de forma radicalmente diferente da minha, e argumenta com a competência, a cultura e o conhecimento de causa costumeiros. Só que eu acho que é um argumento basicamente nefelibata. As pessoas falam como se as aulas de filosofia e sociologia que a filharada dos pobres terá no Brasil fossem ser similares àquelas que seus filhos ou eles mesmos tiveram na eventual escola pública com alunos de classe média. Mas nada mais distante do mundo real do que esta visão. O ensino público brasileiro das disciplinas básicas e necessárias para formar um sujeito e colocá-lo no mercado de trabalho para ganhar tutu acima do estritamente necessário à sobrevivência fisiológica é horroroso, e todos sabemos disso. Fazer com que estas dezenas de milhares de escolas Brasil afora, que mal sabem fazer o aluno aprender aritmética e português, desviem esforços, energia e foco para colocar aulas de filosofia e sociologia no currículo é arquetípico da letal falta de pragmatismo da vida pública brasileira, e da tendência de agir como se vivêssemos num mundo ideal. Muito já se falou sobre como a legislação brasileira é avançada em diversos campos. Não sou especialista e não saberia citar exatamente quais, mas tenho a impressão de que em temas como código de obras, meio-ambiente, menores, consumidores, sistema penal e outros, nossas leis delineiam uma sociedade sofisticada e humanista. E, na vida real, sabemos o quanto de barbárie impera naqueles mesmos setores. Recentemente, estive com populações pobres de Alagoas, e, testando aleatoriamente uma meia dúzia de crianças de 9 e 10 anos, todas na escola, constatei que nenhuma sabia ler - não é que liam mal, não; não sabiam ler nada. A prioridade dramática do sistema escolar público brasileiro é fazer as crianças aprenderem o básico, isto salta aos olhos. Mas vamos gastar tempo, dinheiro e foco introduzindo filosofia e sociologia no ensino médio. E, finalmente, a questão da doutrinação para mim é um fato. Mas este é um tema chato, controverso, ranheta, e nem acho que seja o mais importante. Então é melhor deixar para lá. Eu não preciso desse argumento para ser contra a introdução obrigatória de filosofia e sociologia no ensino médio


