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E eis que eu me vejo na ingrata tarefa de elogiar Pedro Malan. Como disse o Arranhaponte neste post, não há nada com menos sex appeal do que incensar as virtudes do sujeito. Mesmo assim, eu me sinto obrigado a fazê-lo num momento em que mais um ministro do governo Lula se vê envolvido numa história mal contada – sim, eu falo de Dilma Rousseff e a confusão da Varig. A versão que corria nos bastidores, e que o próprio Lula se encarrega agora de divulgar, é que Dilma entrou na linha de tiro por ser o nome do PT em 2010. Nada a ver com o rolo do dossiê ou com a atuação temerária na venda da Varig. O problema é que ela é vista como a candidata de Lula.
O mesmo raciocínio é usado por Antônio Palocci em seu livro Sobre cigarras e formigas. Palocci diz que as coisas ficaram mais complicadas para ele a partir do momento em que Lula teria cogitado o seu nome para disputar a eleição de 2006. O fato de o ministro ter participado de histórias das mais nebulosas em Ribeirão Preto e de ter quebrado o sigilo bancário de um caseiro é secundário.
Roseana Sarney também usou uma desculpa semelhante em 2002, quando surgiu a fotografia da pilha de dinheiro na empresa da qual ela e o seu marido eram sócios. Tudo teria sido uma armação da Polícia Federal para prejudicar a sua candidatura e beneficiar José Serra. A questão é simples: se não houvesse um dinheiro de origem não explicada na empresa, não teria havido a foto, do mesmo modo que, se Dilma não tivesse se metido na confusão do dossiê e na venda da Varig, não estaria nesse tiroteio. O mesmo vale para Palocci. Se não tivesse quebrado o sigilo do caseiro e não tivesse um grupo de amigos da pesada em Ribeirão Preto, ele poderia estar até hoje como ministro da Fazenda.
Onde entra Malan na história? Bom, Malan foi ministro da Fazenda por oito anos. Não tinha pretensões políticas, é verdade, mas boa parte do PSDB queria derrubá-lo, por se opor à sua política econômica. Luiz Carlos Mendonça de Barros também não era um nome cotado para ser presidente, mas caiu ao ser atingido no grampo do BNDES. A diferença é que Malan não tinha pés de barro. Não roubava e não se metia em histórias suspeitas como a da venda da Varig ou a do acerto de consórcios para a privatização das teles. Parece fora de moda e meio ridículo, mas Malan tinha espírito público raro. Malan cometeu erros na política econômica? Acho que sim, principalmente na defesa da política cambial no primeiro mandato de Fernando Henrique. Mas, do ponto de vista ético, era inatacável, ao que tudo indica. A guerra contra ele tinha que se restringir ao plano das convicções. E é muito mais difícil o fogo amigo ou inimigo atingir quem não tem culpa no cartório


