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Os meus top 5

Depois de ver esta lista com os 100 discos de jazz mais importantes da história, feita por David Remnick, decidi fazer uma com os cinco melhores jogadores que eu vi jogar. Qual a relação entre as duas coisas? Nenhuma, mas deu vontade de fazer mesmo assim. Eu provavelmente vou tomar pedradas pelas escolhas de qualquer modo, mas aqui vai um esclarecimento necessário: comecei a acompanhar futebol mais de perto no fim dos anos 70 e começo dos anos 80. Não me xingue por não ter incluído Pelé, Rivellino, Cruijff ou Beckenbauer na lista. Eu limitei a escolha aos jogadores cuja carreira acompanhei mais de perto. Lá vai:

Romário – O melhor centroavante que eu vi jogar, disparado. Melhor que Careca, melhor que Van Basten, melhor que Reinaldo, melhor que Ronaldo. Eu não vi ninguém com metade de sua frieza nas finalizações. Romário estava sempre bem posicionado, tanto dentro da área como fora dela, sempre no lugar certo para receber o passe em vantagem em relação ao zagueiro. Com arranques curtos e dribles desconcertantes, se livrava com facilidade do marcador. Daí era só finalizar, o que ele fazia bem com as duas pernas. Baixinho, era um grande cabeceador, muito melhor que Ronaldo, bem mais alto do que ele. Eu assisti a um São Paulo x Flamengo no Morumbi, no Rio-São Paulo, em 1997, alguns anos depois do auge de Romário. No primeiro tempo, Romário não pegou na bola. A torcida são-paulina o chamou de viado. No segundo tempo, Romário pegou quatro vezes na bola. Fez dois gols, deu um para fazer e chutou uma bola na trave. O jogo acabou 3 a 1 para o Flamengo.

Maradona – É claro que Pelé foi mil vezes melhor do que Maradona, mas o argentino foi de fato o maior jogador que eu vi jogar. A única vez na minha vida em que eu torci para a seleção da Argentina foi na Copa de 1986. O homem ganhou o negócio praticamente sozinho – a Argentina tinha um time bem meia boca, em que se destacavam Burruchaga e Valdano, bons jogadores, mas não craques. O gol contra a Inglaterra, em que Maradona dribla seis jogadores, é o mais bonito de todas as Copas. O gol de mão também foi genial, por mais que horrorize os puristas. O homem matou a pau na Copa inteira, como no jogo contra a Bélgica. Era habilidoso e driblava absurdamente bem, colocando a bola onde queria com a perna esquerda. No Napoli, também jogou muito. Fez muitos gols de falta e deu passes maravilhosos para Careca.

Ronaldinho Gaúcho – É a escolha que, eu tenho certeza, será mais contestada. Em 2005 e na primeira metade de 2006, porém, Ronaldinho Gaúcho jogou muito. Na Copa de 2002, também esteve muito bem, principalmente no jogo contra a Inglaterra. Naquelea época, ele driblava espetacularmente e dava passes maravilhosos e inspirados. Uniu habilidade com objetividade – os dribles desconcertantes em geral eram feitos na direção do gol. Fez gols lindos e foi sem dúvida o melhor jogador da Champions League de 2005-2006. Desde a Copa de 2006, porém, parece outro jogador. Não parte para cima do marcador e em geral se limita a distribuir o jogo. Espero que isso mude. Se voltar a jogar 80% do que jogou em 2005 e 2006, será eleito mais uma vez o melhor do mundo.

Zidane – O último meia clássico do futebol. Elegante, habilidoso, forte e bom finalizador. Não era rápido, mas sabia fazer o jogo ficar rápido quando isso era necessário. Fez gols espetaculares na Juventus e no Real Madri. Dava passes perfeitos. Ganhou uma Copa e, em 2006, já veterano, matou o Brasil nas quartas-de-final. Todos os dias eu torço para que o São Paulo ache um jogador com as características de Zidane. Se jogar 30% do que Zidane jogava, será suficiente para resolver o problema do meio-campo do meu time.

Zico – Um dos craques brasileiros mais injustiçados do Brasil por quem não é flamenguista. Eu sempre achei bobagem a história de que Zico só jogava bem no Maracanã. Na Libertadores e o Mundial de 1981, o homem só não fez chover. Finalizava bem, fazia muitos gols e foi um dos melhores batedores de falta de todos os tempos. Era também um dos reis das asssistências, num tempo em que não se usava essa palavra ridícula. Nunes provavelmente deve uns 70% de seus gols aos passes de Zico. Jogou na Itália num time pequeno e quase foi o artilheiro do campeonato. Fez parte de um dos melhores times que eu vi jogar, a seleção brasileira de 1982. Eu vi há alguns anos os teipes de algumas daquelas partidas, e Zico jogou muito bem. Mesmo sem ter ganhado uma Copa, entra no meu top 5



Marcos Matamoros at 08:41 PM | Comentários (16)

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