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A prisão de Daniel Dantas pode fazer um bem danado ao país. Não, eu não falo de prisões temporárias ou preventivas, que duram algumas horas ou dias, mas de uma prisão por condenação pelos crimes dos quais ele é acusado. Tudo indica que o sujeito praticou uma série de crimes pesados – escrevo “tudo indica” porque ele ainda não foi condenado e não se conhecem os detalhes de todas as acusações –, que merecem punições duras.
Se for considerado culpado, será importante ver um sujeito do porte de Daniel Dantas na cadeia. E é claro que não importa se outros criminosos não estão presos. Isso não o absolve de crimes que ele tenha praticado. É um raciocínio de uma obviedade acaciana, mas os fãs de Lula, por exemplo, acham que não se aplica ao presidente. Todos os erros e crimes que ele e seus ministros cometem devem ser perdoados e relativizados, porque Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor, José Sarney ou Tomé de Souza também cometeram equívocos semelhantes em algum momento. É um argumento tão grotesco que não deveria ser usado por ninguém.
Colocar na cadeia um grande corruptor, que parece ter cometido uma série de falcatruas, é o primeiro e mais óbvio motivo por que seria muito positiva a prisão de Daniel Dantas. O outro motivo é que, com ele na cadeia, grande parte da esquerda poderá ver que o alcance das picaretagens do sujeito não é tão grande quanto se pensa. Mesmo quando os intestinos do país tiverem sido totalmente revolvidos, do duodeno ao reto, passando pelo jejuno e pelo cólon, o Brasil não estará livre da corrupção e do mal.
Se ficar provado que integrantes do governo Fernando Henrique ou do governo Lula o favoreceram ilegalmente, que sejam julgados e condenados. Tudo indica que o sujeito transgrediu a lei muitas vezes – a tentativa de suborno do delegado da Polícia Federal dá uma idéia dos métodos usados por ele. A estratégia de se aproximar de políticos de todos os partidos importantes para obter vantagens para os seus negócios também é mais do que suspeita.
Tudo isso deve ser apurado e julgado. Mas a transformação de Daniel Dantas num supervilão, cuja prisão fará raiar a liberdade no horizonte do Brasil, é de um maniqueísmo primário. Daniel Dantas talvez até seja o coisa ruim, mas não é a única fonte de problemas do país


