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Eu já acho que um não-pilantra não tem nada que se meter em política. Mesmo. Sério. Estou convencido, como gosta de dizer o Guia Genial, que políticos honestos e decentes, caso existissem, além de chatos, seriam muito perigosos. Bom-mocismo sobe à cabeça, turva a visão, embaralha os instintos.
O bom político é pilantra, mas não pode ser qualquer pilantra. Tem que ter classe (lato sensu, por favor) e bom-senso. Tem que estabelecer limites quando tudo se abre e é permitido. E no fundo d’alma tem que ter algum idealismo bocó, que ele ou ela mesmos encaram como um talismã – graças a esta vaga capacidade de fazer vibrar notas de emoção coletiva, cria-se um modus vivendi, confortável e pleno de benesses para os que sabem jogar o jogo direitinho.
Dois filmes americanos capturam muito bem esta mistura de picaretagem, idealismo e carisma popularesco que é a essência da melhor política (não que seja grande coisa, mas política nunca vai além disso). Um é aquele sobre o Clinton e a Hillary, Primary Colors, com a Emma Thompson e o Travolta. Outro é este filme recente sobre a intervenção americana no Afeganistão, com o Tom Hanks e o Philip Seymour Hoffman, Jogos de Poder no Brasil, Charlies’ Wilson War no original. O filme do Clinton é melhor.
Esse rapaz, o Obama, me preocupa. Onde é que ele esconde a pilantragem? Para lidar com um Putin, tem que seguir aquela máxima do pai do meu amigo que melhor brigava: “Em porrada na praia, a primeira coisa é jogar areia no olho”. Mas algo me diz, diante da sua carreira meteórica (mas meteoros caem do ponto de vista terráqueo – sempre tive problemas com esta metáfora), que o nosso bom Obama é uma grandecíssimo (sic) fdp. Há esperança


