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<title>A Torre de Marfim</title>
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<copyright>Copyright (c) 2008, Marcos Matamoros</copyright>
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<title>O super-herói brasileiro</title>
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<summary type="text/plain">O super-herói brasileiro                     </summary>
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<name>Marcos Matamoros</name>
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<![CDATA[<p>O Brasil tem enfim um super-herói de verdade. Protógenes Queiroz pode não ter nome de super-herói, mas tem a convicção dos puros e, para sua sorte, encara um supervilão à sua altura. De que adiantariam os superpoderes se não houvesse um vilão que encarnasse o mal como o encarna Daniel Dantas? É questão de tempo para que Protógenes tenha um séquito de seguidores, encantados com o sujeito que descobriu que Naji Nahas, aquele safadinho, consegue saber com antecedência o que o Federal Reserve vai fazer com os juros americanos. </p>

<p>Como todo super-herói, Protógenes sabe que participa da mais velha batalha da história do mundo, encenada milhares de vezes sobre a face da terra: a disputa entre o Bem e o Mal. Num dos trechos do relatório, ele escreve que Daniel Dantas “utiliza a sua inteligência para praticar o mal”. Eu sempre achei que Daniel Dantas agisse para fazer valer os seus próprios interesses, ao que tudo indica usando todos os meios para conseguir os seus objetivos, inclusive alguns altamente inescrupulosos, como tentativas de suborno. O que o relatório de Protógenes deixa claro é que Daniel Dantas é muito mais do que isso. Ele está a serviço do lado negro da força. É algo como um Darth Vader baiano. Ainda bem que nós temos um Luke Skywalker ativo e operante. </p>

<p>O sujeito é implacável. No relatório, ele diz que não vai permitir que façam lambanças com o fundo soberano brasileiro: ““Ante as ameaças de corsários saqueadores das riquezas do nosso país, deixo aqui registrado que o ‘amanuense’, que ora subscreve a presente peça, e por ‘cautela’ alerto aos incautos, seja de forma individual ou organizados criminosamente para tal finalidade, que estarei de prontidão comparado a um integrante da Brigada dos Tigres, fazendo um acompanhamento detalhado do futuro Fundo Soberano". Brigada dos Tigres é legal. Será que eles se reúnem na Sala de Justiça? </p>

<p>Eu não li a íntegra do relatório e não sou advogado. Esses episódios, porém, mostram que Protógenes se julga um portador da Verdade, que acredita ser um guardião do Bem. Quem tem essa mentalidade pode cometer abusos, como o pedido de prisão da jornalista Andréa Michael, da Folha. A tipificação de crimes financeiros complexos exige uma análise técnica e sem paixões. É perfeitamente possível que Protógenes tenha feito um relatório impecável desse ponto de vista, mas a sede em proclamar o Bem e condenar o Mal pode atrapalhar os trabalhos do super-herói brasileiro. Ter disposição e coragem para investigar um sujeito poderoso como Daniel Dantas é importante. Acreditar que os dois protagonizam uma guerra entre o Bem e o Mal, contudo, não é o comportamento mais adequado para um delegado da Polícia Federal. </p>

<p>Por fim, eu me permito dar um conselho a Protógenes: super-heróis devem cuidar da própria aparência e devem assear-se com freqüência diária. Em sua viagem aos intestinos do Brasil, Protógenes ficou cinco dias sem trocar de roupa, <a href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3002793-EI6578,00.html">segundo reportagem de Bob Fernandes</a>. Pela minha experiência com histórias em quadrinhos, combater um supervilão não é incompatível com a higiene pessoal         </p>]]>

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<title>Indagações aleatórias</title>
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<modified>2008-07-13T21:34:53Z</modified>
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<summary type="text/plain">Grandes mistérios do Universo</summary>
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<name>F. Arranhaponte</name>
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<email>fojdantas@yahoo.com</email>
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<![CDATA[<p><img alt="DSCN0826b.JPG" src="http://atorredemarfim.apostos.com/DSCN0826b.JPG" width="316,66666" height="422,333333" /><br />
<strong><small>Nada a ver com o post (nem com o Daniel Dantas)</small></strong></p>

<p><br />
Por que criança <em>gosta</em> de cheiro de gasolina?</p>]]>

</content>
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<title>Um vilão, não o vilão</title>
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<modified>2008-07-12T05:08:08Z</modified>
<issued>2008-07-12T03:46:01Z</issued>
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<summary type="text/plain">Um vilão, não o vilão </summary>
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<name>Marcos Matamoros</name>
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<email>marcosmatamoros@gmail.com</email>
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<content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://atorredemarfim.apostos.com/">
<![CDATA[<p>A prisão de Daniel Dantas pode fazer um bem danado ao país. Não, eu não falo de prisões temporárias ou preventivas, que duram algumas horas ou dias, mas de uma prisão por condenação pelos crimes dos quais ele é acusado. Tudo indica que o sujeito praticou uma série de crimes pesados – escrevo “tudo indica” porque ele ainda não foi condenado e não se conhecem os detalhes de todas as acusações –, que merecem punições duras.  <br />
 <br />
Se for considerado culpado, será importante ver um sujeito do porte de Daniel Dantas na cadeia. E é claro que não importa se outros criminosos não estão presos. Isso não o absolve de crimes que ele tenha praticado. É um raciocínio de uma obviedade acaciana, mas os fãs de Lula, por exemplo, acham que não se aplica ao presidente. Todos os erros e crimes que ele e seus ministros cometem devem ser perdoados e relativizados, porque Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor, José Sarney ou Tomé de Souza também cometeram equívocos semelhantes em algum momento. É um argumento tão grotesco que não deveria ser usado por ninguém.</p>

<p>Colocar na cadeia um grande corruptor, que parece ter cometido uma série de falcatruas, é o primeiro e mais óbvio motivo por que seria muito positiva a prisão de Daniel Dantas. O outro motivo é que, com ele na cadeia, grande parte da esquerda poderá ver que o alcance das picaretagens do sujeito não é tão grande quanto se pensa. Mesmo quando os intestinos do país tiverem sido totalmente revolvidos, do duodeno ao reto, passando pelo jejuno e pelo cólon, o Brasil não estará livre da corrupção e do mal. <br />
 <br />
Se ficar provado que integrantes do governo Fernando Henrique ou do governo Lula o favoreceram ilegalmente, que sejam julgados e condenados. Tudo indica que o sujeito transgrediu a lei muitas vezes – a tentativa de suborno do delegado da Polícia Federal dá uma idéia dos métodos usados por ele. A estratégia de se aproximar de políticos de todos os partidos importantes para obter vantagens para os seus negócios também é mais do que suspeita.<br />
 <br />
Tudo isso deve ser apurado e julgado. Mas a transformação de Daniel Dantas num supervilão, cuja prisão fará raiar a liberdade no horizonte do Brasil, é de um maniqueísmo primário. Daniel Dantas talvez até seja o coisa ruim, mas não é a única fonte de problemas do país</p>]]>

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<title>As commodities e os especuladores</title>
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<modified>2008-07-07T18:18:52Z</modified>
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<summary type="text/plain">Mais uma teoria conspiratória errada </summary>
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<name>Marcos Matamoros</name>
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<email>marcosmatamoros@gmail.com</email>
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<![CDATA[<p><img alt="Especulador3.gif" src="http://atorredemarfim.apostos.com/archives/Especulador3.gif" width="288" height="288" /></p>

<p>O enredo é perfeito para quem gosta de teorias conspiratórias. Inescrupulosos gestores de fundos de investimento especulam sem limites nos mercados futuros e jogam para cima os preços das commodities, fazendo indefesos cidadãos do Terceiro Mundo passarem fome. A história faz vibrar os fãs do maniqueísmo. Como desconfio de todas as teorias conspiratórias –  eu sempre achei que Lee Harvey Oswald realmente matou John Kennedy -, não comprava a idéia. Quando eu vi os aumentos de preços que as mineradoras conseguiram obter neste ano para o minério de ferro, de até quase 100%, ficou claro para mim que a questão fundamental era o aumento da demanda. O minério de ferro não é negociado nos mercados futuros, e os preços são definidos em negociações diretas entre mineradoras e os seus clientes. </p>

<p>Publicado no Valor na sexta-feira, <a href="http://www.isadistrito4.org.br/noticias.php?id=104&cat=3">este artigo de Márcio Garcia</a>, da PUC-Rio, traz este e vários outros argumentos que mostram como a tese da especulação está cheia de furos. Garcia, que sabe das coisas, faz uma análise técnica e desapaixonada do assunto. Se a culpa da alta de preços fosse realmente dos especuladores, os estoques de commodities teriam que aumentar, mas, na maior parte dos casos, estão em queda, como nota Paul Krugman <a href="http://krugman.blogs.nytimes.com/2008/04/20/commodities-and-speculation-metallic-evidence/">neste texto</a>. Para tristeza dos adeptos de teorias conspiratórias, tudo indica que não são os desalmados hedge funds os culpados pela disparada dos preços de commodities<br />
</p>]]>

</content>
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<title>O que realmente interessa no caso Ingrid Betancourt</title>
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<modified>2008-07-04T14:56:24Z</modified>
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<summary type="text/plain">O que realmente interessa no caso Ingrid Betancourt</summary>
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<name>Marcos Matamoros</name>
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<email>marcosmatamoros@gmail.com</email>
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<![CDATA[<p>Ingrid Betancourt já falou de tudo sobre os seis anos de cativeiro, menos sobre o essencial. O que o povo quer saber mesmo é se ela ficou seis anos invicta. Ingrid Betancourt apelou à <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u363119.shtml">estratégia Clara Rojas</a> ou passou todo o tempo fazendo justiça com as próprias mãos? E uma outra coisa: imagine seis anos sem depilação íntima? Aposto no efeito Cláudia Ohana (se você quiser a foto da Playboy que chocou a minha geração, clique <a href="http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://farm4.static.flickr.com/3130/2350743511_dc91389c92_o.jpg&imgrefurl=http://blogdoberto.blogspot.com/2008/03/em-tempos-de-aquecimento-global.html&h=584&w=480&sz=96&hl=pt-BR&start=13&tbnid=bnXdjKfnjR6YAM:&tbnh=135&tbnw=111&prev=/images%3Fq%3DClaudia%2Bohana%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG">aqui</a>). Fosse eu editor de uma revista colombiana, investiria nessa pauta </p>]]>

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<title>A inimiga do povo</title>
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<summary type="text/plain">A mídia e a inflação </summary>
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<name>Marcos Matamoros</name>
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<email>marcosmatamoros@gmail.com</email>
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<![CDATA[<p><img alt="Imprensa3.gif" src="http://atorredemarfim.apostos.com/archives/Imprensa3.gif" width="450" height="560" /><br />
<strong><small>Os culpados pela espiral inflacionária</small></strong></p>

<p>A mídia faz um mal danado ao país, pelo que eu leio por aí. Em artigo publicado ontem no Valor, Yoshiaki Nakano diz que “o estardalhaço que a imprensa vem fazendo sobre a recente aceleração da inflação está alimentando as expectativas inflacionárias, e corremos o risco de caminharmos para um debate emocional, obscurecendo o seu entendimento e o seu controle”. Em seu blog, José Dirceu diz que “a percepção da inflação também aumentou não só pela realidade, nacional e internacional, mas também pelo contínuo e incessante bombardeio alarmista do próprio BC, amplificado pela mídia, particularmente pela Rede Globo”. Por fim,  Guido Mantega diz que há “um certo alarmismo ‘nas análises sobre a inflação brasileira e que o noticiário pode gerar pânico e levar à corrida de donas-de-casa para fazer estoques de produtos”, segundo o Valor Online.</p>

<p>A inflação está em alta, como até os mais néscios podem perceber. Os alimentos dispararam e há uma aceleração clara dos preços de serviços. A escalada das commodities e a atividade econômica aquecida têm feito a inflação subir. A demanda doméstica cresceu 7,5% nos 12 meses encerrados em março. </p>

<p>Depois de três anos com os índices de preços bem comportados, a aceleração da inflação é obviamente uma notícia importante. A cesta básica, por exemplo, subiu até 52% em 12 meses, mostra a Folha de hoje. Se os números não estão errados, é claro que não é estardalhaço ou alarmismo. O IPCA ficou em 3,14% em 2006, 4,5% em 2007 e pode superar 6,5% neste ano. O IGP-M acumula alta de 13,44% em 12 meses. </p>

<p>Culpar a imprensa – o esporte favorito dos sem-imaginação e dos mal-intencionados – não vai derrubar a inflação. O que querem esses iluminados? Que os fortes aumentos da inflação não sejam noticiados, ou que sejam relegados ao pé de página dos jornais e revistas e mereçam apenas um registro nos telejornais? Não é o Jornal Nacional que joga mais lenha na fogueira da inflação.</p>

<p>Uma demanda aquecida demais e gastos públicos que ainda crescem muito – embora as despesas do governo federal aumentem a um ritmo menor neste ano – são um pano de fundo perfeito para intensificar a alta dos preços, num momento em que as commodities estão na estratosfera. Culpar a mídia por alimentar as expectativas de inflação é ignorância ou má fé      </p>]]>

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<title>O paraíso das idéias cretinas</title>
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<modified>2008-06-28T00:35:43Z</modified>
<issued>2008-06-28T00:15:31Z</issued>
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<created>2008-06-28T00:15:31Z</created>
<summary type="text/plain">O paraíso das idéias cretinas              </summary>
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<name>Marcos Matamoros</name>
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<email>marcosmatamoros@gmail.com</email>
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<content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://atorredemarfim.apostos.com/">
<![CDATA[<p><img alt="Littlefool3.jpg" src="http://atorredemarfim.apostos.com/archives/Littlefool3.jpg" width="450" height="226" /></p>

<p>O Febeapá no Brasil não pára nunca. No Valor de ontem, o economista Eduardo Strachman, da Unesp, propõe uma série de mudanças para o regime de metas de inflação. Há propostas conhecidas, outras ruins e uma totalmente estapafúrdia: “a ampliação do Comitê de Política Monetária (Copom), com alguns representantes dos setores industrial, de serviço e agrícola, e não apenas do sistema financeiro”. A idéia do sujeito é uma variação piorada da que sugere a entrada de representantes da economia real no Conselho Monetário Nacional (CMN). </p>

<p>Entre várias outras atribuições, o CMN fixa a meta de inflação a ser perseguida pelo BC. Essa proposta já é bastante ruim – mas Strachman conseguiu piorá-la. Imagine o Paulo Skaf e o Abram Szajman no Copom, definindo o rumo dos juros? E por que não o Samuel Klein, da Casas Bahia? “Eu aprendi política monetária na escola da vida”, diria o simpático Klein. Paulo Skaf, claro, sempre votaria por cortes de 2 pontos percentuais dos juros, mesmo com a inflação perto de dois dígitos.</p>

<p>Outro gênio é Hélio Jaguaribe. É verdade que ele foi ministro do Collor, mas o sujeito deu aula em Harvard, Stanford e no MIT. Eu esperava que ele pelo menos não trilhasse o caminho do grotesco absoluto. Eu estava errado: a Folha publica um artigo de Jaguaribe em que ele sugere a criação da Amazoniabrás. Estou falando sério. Vale a pena citar um trecho: </p>

<p>“A Amazônia requer uma ativa interveniência do Estado. Não apenas, nem principalmente, por meio de normas regulatórias que, ademais de não serem produtivas, são completamente ineficazes, pela incapacidade de seu consistente monitoramento. A indispensável e urgente intervenção do Estado na Amazônia deve ter caráter operacional.<br />
 <br />
Trata-se, em primeiro lugar, de complementar os dados já disponíveis com um completo levantamento geoeconômico da região. E trata-se, adicional e principalmente, de constituir uma grande empresa pública, a Empresa Brasileira da Amazônia -Amazoniabras-, para promover a exploração racional, eqüitativa e ecologicamente responsável desse grande tesouro vegetal e mineral. Algo à semelhança do que foi -e continua sendo- a Petrobras para o petróleo.”</p>

<p>É isso aí: mais uma grande empresa pública, para inchar ainda mais o Estado, criar mais cargos públicos e levar mais ineficiência à administração da Amazônia. Não é brilhante?</p>

<p>Como se vê, sobram idéias cretinas no Brasil. Falta, porém, uma empresa que coordene e administre os esforços de tanta estupidez, hoje operando sem foco e de modo desorganizado. Para mudar esse quadro, só com mais uma estatal. Eu sugiro a criação da Cretinobrás. Mão-de-obra qualificada é que não vai faltar<br />
</p>]]>

</content>
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<title>Mais miséria ética</title>
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<modified>2008-06-25T00:44:16Z</modified>
<issued>2008-06-24T23:34:44Z</issued>
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<summary type="text/plain">Mais miséria ética </summary>
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<name>Marcos Matamoros</name>
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<email>marcosmatamoros@gmail.com</email>
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<![CDATA[<p>Então é isso aí. A Folha mostra hoje que Roberto Teixeira esteve pelo menos seis vezes no Palácio do Planalto para falar com Lula, duas delas para tratar diretamente da venda da VarigLog para o fundo americano Matlin Patterson. Lula é o verdadeiro homem cordial. Não dá nenhuma importância às distinções entre o público e o privado e não vê nenhum problema no fato de seus amigos e familiares se beneficiarem do fato de ser presidente. Esse caso é muito mais grave que o dos gastos com cartões corporativos, mas não parece chamar tanto a atenção. Parece que há uma fadiga de escândalos, mais isso não torna o tráfico de influência menos obsceno.</p>

<p>No campo da ética, Lula tem se comportado de modo abominável. Absolve qualquer um – Antonio Palocci, Severino Cavalcanti, Jader Barbalho, Renan Calheiros, Matilde Ribeiro, é tudo gente injustiçada. É óbvio que um presidente não pode permitir que um amigo como Roberto Teixeira transite com desenvoltura no Planalto, ainda mais se tem negócios que dependem, em maior ou menor medida, de decisões ou da influência do governo. Para Lula, porém, isso não é problema. </p>

<p>E não me venham dizer que ocorreram coisas semelhantes em outros governos. Acho que não houve na administração Fernando Henrique Cardoso um equivalente a Roberto Teixeira. E, mesmo que tenha havido, é grotesca essa tática de inocentar Lula com crimes e erros de seus antecessores. Eu teria vergonha de usar um argumento desses para defender alguém que eu admiro<br />
</p>]]>

</content>
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<title>Já deu</title>
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<modified>2008-06-20T18:37:34Z</modified>
<issued>2008-06-20T18:11:43Z</issued>
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<created>2008-06-20T18:11:43Z</created>
<summary type="text/plain">A overdose japa </summary>
<author>
<name>Marcos Matamoros</name>
<url>http://atorredemarfim.apostos.com</url>
<email>marcosmatamoros@gmail.com</email>
</author>

<content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://atorredemarfim.apostos.com/">
<![CDATA[<p><img alt="Imigração3.jpg" src="http://atorredemarfim.apostos.com/archives/Imigra%C3%A7%C3%A3o3.jpg" width="380" height="380" /></p>

<p>Ok, os japoneses são batutas, a imigração japa foi importante para o Brasil e eu gosto de comida japonesa, mas não dá mais para agüentar o massacre de reportagens sobre o assunto. Jornais, telejornais, revistas e sites resolveram que o negócio merece tratamento vip. É um bombardeio insuportável. E o Naruhito? O micropríncipe está em todas. Só falta o japinha aparecer no programa da Luciana Gimenez ou no Domingão do Faustão e ir ao Maracanã assistir a um jogo do Flamengo. O sujeito é simpático, mas já deu. É o maior arroz de festa. Espero que tanto oba-oba japa só se repita daqui a cem anos </p>]]>

</content>
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<title>Agora vai</title>
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<issued>2008-06-18T13:49:18Z</issued>
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<summary type="text/plain">Tá em crise? Coloca um ministro de araque pra resolver</summary>
<author>
<name>F. Arranhaponte</name>
<url>http://atorredemarfim.apostos.com</url>
<email>fojdantas@yahoo.com</email>
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<![CDATA[<p>O nome do novo ministro das Finanças da Venezuela é Alí Rodrigues <em><strong>Araque</strong></em>. </p>

<p>Aliás, com a inflação nas imediações de 30% e o barraco balançando, deve haver argentinos e venezuelanos ansiando pelo fim do glorioso dia da afirmação das forças populares, e torcendo para que caia logo mais uma longa noite neoliberal. Nem que seja para descansar um pouco</p>]]>

</content>
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<title>Canela, cachaça, bela raça, Brasil</title>
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<modified>2008-06-19T14:49:12Z</modified>
<issued>2008-06-18T12:49:45Z</issued>
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<summary type="text/plain">Canela, cachaça, bela raça, Brasil </summary>
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<name>Marcos Matamoros</name>
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<email>marcosmatamoros@gmail.com</email>
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<content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://atorredemarfim.apostos.com/">
<![CDATA[<p>Até hoje eu não perdôo o que a Globo fez no começo dos anos 80, quando inventou de ressuscitar os festivais de MPB. Eu era um indefeso pré-adolescente, e os sons atrozes daquela época ainda atormentam os meus pesadelos. O mais assustador é que a minha memória tinha melhorado algumas das músicas dos festivais. No fim de semana, um amigo mencionou Mira ira numa mesa de bar, e eu decidi procurar a música no You Tube. Eu lembrava que era algo muito ruim, mas a realidade era ainda pior. A letra é horrível, (Mescla morena/ Canela, cachaça/ bela raça/Brasil!!!!!), há uns sujeitos tocando flauta andina e tem o imbatível tom grandiloqüente e messiânico que a música assume no minuto final. Se tiver estômago, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=pNV28B1oG2o">veja aqui</a>.</p>

<p>Mira ira foi a segunda colocada no Festival dos festivais, de 1985. Perdeu para a assustadora Escrito nas estrelas, cantada por Tetê Espíndola, que não poderia ganhar um festival mesmo se interpretasse a melhor música de Noel Rosa, Chico Buarque, Tom Jobim ou Paulinho da Viola. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=S0yY-NGjtsI">Confira aqui e preste atenção na entradinha de Tetê Espíndola no palco</a>. O pior é que, na época, a “crítica” aplaudiu a escolha: “Se houve protestos, não foram ouvidos: ficaram abafados pela enorme torcida que consagrou Tetê Espíndola, intérprete da vencedora 'Escrito nas Estrelas', de Arnaldo Black e Carlos Rennó . E o Festival dos Festivais terminou com resultado absolutamente justo. Não cedeu espaço a apelos fáceis e jogadas de efeito. Premiou as melhores músicas, a melhor letra, o melhor arranjo. Indiscutivelmente.", escreveu Mauro Dias, no Globo. Perto de Mira ira e Escrito nas estrelas, a terceira colocada, a insossa <a href="http://www.youtube.com/watch?v=HEhqijwv-gQ">Verde</a>, interpretada por Leila Pinheiro, parece uma obra-prima. <br />
 <br />
Eu lembro com mais detalhes desse festival porque eu tinha 14 anos, mas a Globo estava empenhada em produzir material para a trilha sonora do inferno desde 1980. Naquele ano, o páreo também foi duro: Oswaldo Montenegro ganhou com <a href="http://letras.terra.com.br/oswaldo-montenegro/47868/">Agonia</a>, com Amelinha logo atrás, com <a href="http://letras.terra.com.br/rastape/123751/">Foi Deus que fez você</a>. É, os caras premiaram Oswaldo Montenegro, que merece no máximo o troféu de cantor mais chato da MPB. </p>

<p>Do festival de 1981, eu lembrava da vaia que recebeu Lucinha Lins, a vencedora com <a href="http://www.youtube.com/watch?v=BC4J3TkVpMY">Purpurina</a>. A música é bem ruinzinha, mas sabe quem era a preferida do público? <a href="http://www.youtube.com/watch?v=uAQwD0UXMyo&feature=related">Planeta água</a>, de Guilherme Arantes. O melhor é a informação que eu achei num blog, não sei se confiável, dizendo que “Guilherme Arantes não teve do que reclamar do 'segundo lugar consagrador', que o deixou 'muito mais em evidência do que se houvesse ganhado o óbvio primeiro lugar', conforme afirma em autobiografia”. É isso aí. Ele acha que foi melhor perder. </p>

<p>Em 1982, o negócio também não foi muito melhor. Emílio Santiago ganhou com <a href="http://letras.terra.com.br/emilio-santiago/428138/">Pelo amor de Deus</a>, seguido pelo grupo Raíces de América, com <a href="http://www.youtube.com/watch?v=6hEFMSn_xvg">O fruto do suor</a>. A letra era o forte dos caras, como mostra o refrão: </p>

<p>Tenho um filho nessa terra,<br />
foi um amor sem passaportes.<br />
Se o gestar foi brasileiro<br />
não me chames de estrangeiro.<br />
Cada pedra, cada rua tem um toque de imigrantes.<br />
Levantaram com seus sonhos <br />
um país que não tem donos</p>

<p>Alguém aí vai dizer que eu não tenho motivo para não perdoar a Globo? <br />
</p>]]>

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<title>Pedro Malan, herói da nossa gente</title>
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<modified>2008-06-15T23:29:11Z</modified>
<issued>2008-06-12T18:40:36Z</issued>
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<summary type="text/plain">Pedro Malan, o herói da nossa gente</summary>
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<name>Marcos Matamoros</name>
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<email>marcosmatamoros@gmail.com</email>
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<![CDATA[<p>E eis que eu me vejo na ingrata tarefa de elogiar Pedro Malan. Como disse o <a href="http://atorredemarfim.apostos.com/archives/2008/04/o_xaveco_suicid.html">Arranhaponte neste post</a>, não há nada com menos sex appeal do que incensar as virtudes do sujeito. Mesmo assim, eu me sinto obrigado a fazê-lo num momento em que mais um ministro do governo Lula se vê envolvido numa história mal contada – sim, eu falo de Dilma Rousseff e a confusão da Varig. A versão que corria nos bastidores, e que o próprio Lula se encarrega agora de divulgar, é que Dilma entrou na linha de tiro por ser o nome do PT em 2010. Nada a ver com o rolo do dossiê ou com a atuação temerária na venda da Varig. O problema é que ela é vista como a candidata de Lula. </p>

<p>O mesmo raciocínio é usado por Antônio Palocci em seu livro <em>Sobre cigarras e formigas</em>. Palocci diz que as coisas ficaram mais complicadas para ele a partir do momento em que Lula teria cogitado o seu nome para disputar a eleição de 2006. O fato de o ministro ter participado de histórias das mais nebulosas em Ribeirão Preto e de ter quebrado o sigilo bancário de um caseiro é secundário. </p>

<p>Roseana Sarney também usou uma desculpa semelhante em 2002, quando surgiu a fotografia da pilha de dinheiro na empresa da qual ela e o seu marido eram sócios. Tudo teria sido uma armação da Polícia Federal para prejudicar a sua candidatura e beneficiar José Serra. A questão é simples: se não houvesse um dinheiro de origem não explicada na empresa, não teria havido a foto, do mesmo modo que, se Dilma não tivesse se metido na confusão do dossiê e na venda da Varig, não estaria nesse tiroteio. O mesmo vale para Palocci. Se não tivesse quebrado o sigilo do caseiro e não tivesse um grupo de amigos da pesada em Ribeirão Preto, ele poderia estar até hoje como ministro da Fazenda.</p>

<p>Onde entra Malan na história? Bom, Malan foi ministro da Fazenda por oito anos. Não tinha pretensões políticas, é verdade, mas boa parte do PSDB queria derrubá-lo, por se opor à sua política econômica. Luiz Carlos Mendonça de Barros também não era um nome cotado para ser presidente, mas caiu ao ser atingido no grampo do BNDES. A diferença é que Malan não tinha pés de barro. Não roubava e não se metia em histórias suspeitas como a da venda da Varig ou a do acerto de consórcios para a privatização das teles. Parece fora de moda e meio ridículo, mas Malan tinha espírito público raro. Malan cometeu erros na política econômica? Acho que sim, principalmente na defesa da política cambial no primeiro mandato de Fernando Henrique. Mas, do ponto de vista ético, era inatacável, ao que tudo indica. A guerra contra ele tinha que se restringir ao plano das convicções. E é muito mais difícil o fogo amigo ou inimigo atingir quem não tem culpa no cartório               </p>]]>

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<title>A pauperologia e o mundo corporativo</title>
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<summary type="text/plain">A pauperologia e o mundo corporativo</summary>
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<name>Marcos Matamoros</name>
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<email>marcosmatamoros@gmail.com</email>
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<![CDATA[<p>Eu não tenho a pretensão de ser um pauperólogo do nível de um <a href="http://www.apostos.com/soaressilva/2004/12/a_paixao_obscura_e_completamen.html">Jebediah Mendes</a>, mas o universo do pobre também me atrai. Se eu fosse me aprofundar nesse campo do conhecimento, começaria com um estudo sobre a mentalidade de pobre e o mundo corporativo. Cabe aí uma explicação: o que me interessa é como a visão de mundo do pobre se manifesta em empregados de nível médio, que, por um critério aborrecido como a renda, não se encaixariam como pobres num país como o Brasil. Mas deixemos para trás o esclarecimento, ele mesmo aborrecido, e partamos para algumas descobertas que eu colhi em anos de pesquisa.</p>

<p>Quem tem mentalidade de pobre nunca se refere à empresa em que trabalha como empresa. O mais comum é dizer serviço. Uma frase típica é “ontem eu quase cheguei atrasado no serviço”, ou algo como “deixei o novo CD da Ivete Sangalo no serviço”. Outra variação é “na sexta-feira vou no West Plaza com um colega do serviço”. Colega, aliás, é o termo preferencialmente usado para se referir às outras pessoas da empesa.</p>

<p>O local de trabalho também pode ser chamado de firma – em geral dito com o “erre” puxado, mesmo por quem não é do interior -, e quase sempre se referindo a duas situações: o churrasco da firma ou a festa da firma. Na minha experiência, é justamente nessas eventos que alguns empregados, principalmente os do comercial, resolvem mostrar que são muito descontraídos. O sujeito abstêmio decide tomar todas e passa a mão na secretária gostosa, que muitas vezes não reclama (afinal, de que adianta ir à festa da firma se não é para ser bolinada?).</p>

<p>Mas quem costuma roubar as atenções na festa da firma é um ser mítico - a vagabunda do comercial. Com um decote que deixa quase à mostra os peitos comprados a prazo, ela dança languidamente e se insinua para vários colegas ao mesmo tempo. Costuma terminar a festa sendo possuída por alguém da firma no estacionamento, em cima do capô do carro de um diretor. </p>

<p>Outra manifestação da mentalidade de pobre no mundo corporativo é a despedida diária com o bordão “bom descanso”. Segundo estatísticas do Datatorre, aliás, 88,8% dos sujeitos que dizem “bom descanso” também usam o não menos famoso “desculpa alguma coisa”, este utilizado não apenas no mundo corporativo. </p>

<p>Eu paro este post por aqui. Um colega me chamou para tomar um cafezinho e conversar sobre a nova vagabunda contratada pelo comercial  </p>]]>

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<title>O cúmulo da viadagem</title>
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<summary type="text/plain">O cúmulo da viadagem          </summary>
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<![CDATA[<p><a href="http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL593295-5598,00.html">Movimento GLBT decide mudar para LGBT</a></p>]]>

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<title>Maxwell, por qué no te callas?</title>
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<summary type="text/plain">Maxwell, Dilma e McCain </summary>
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<name>Marcos Matamoros</name>
<url>http://atorredemarfim.apostos.com</url>
<email>marcosmatamoros@gmail.com</email>
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<content type="text/html" mode="escaped" xml:lang="en" xml:base="http://atorredemarfim.apostos.com/">
<![CDATA[<p>Os artigos de Kenneth Maxwell na Folha não costumam ser grande coisa, <a href="http://clipping.planejamento.gov.br/Noticias.asp?NOTCod=434926">mas neste aqui o sujeito se superou</a>. Maxwell comenta um telegrama enviado em 2005 pelo então embaixador americano nos EUA, Johm Danilovich, sobre Dilma Rousseff. O que chama a atenção do historiador são os trechos do relatório que o Departamento de Estado dos EUA decidiu suprimir, por considerá-los delicados, mas o fez de modo incompetente, porque é possível ler as partes que deveriam ser censuradas. Uma das partes suprimidas cita o fato de Dilma ter sido torturada barbaramente.<br />
 <br />
Até esse momento, não fica claro aonde Maxwell quer chegar. O problema é que se aproxima a hora de terminar o artigo. Na falta de coisa melhor, ele faz uma associação inesperada, metida a inteligente, entre Dilma e John McCain: “Como é estranho o Departamento de Estado considerar que essas informações sejam sensíveis demais para o consumo do público. Afinal, se Dilma Rousseff um dia for eleita presidente do Brasil, e se John McCain, que também sofreu torturas brutais quando prisioneiro de guerra, for eleito presidente dos EUA, teremos dois chefes de Estado com autoridade moral única para rejeitar de maneira inequívoca o uso da tortura como ferramenta política de Estado.”</p>

<p>A associação entre os dois é boba, mas o pior é a conclusão: como os dois foram torturados, seriam presidentes “com autoridade moral única” para rejeitar a tortura como ferramenta política de Estado. É um dos troços mais cretinos de todos os tempos. Qualquer um com um mínimo de sensibilidade repudia a tortura, e ponto. Mesmo quem nunca tomou nem uma tapa dos pais consegue perceber que algo abominável como a tortura deve ser rejeitado – e com a mesma “autoridade moral”</p>]]>

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